O porque da metodologia ACATECH para se aplicar na análise do Índice de maturidade da Industria 4.0

O termo "Indústria 4.0" teve origem de um projeto estratégico de alta tecnologia do Governo Alemão, que promove a informatização da manufatura. O termo foi usado pela primeira vez na Feira Internacional de Hannover Messe, em Outubro de 2012, pelo Grupo de Trabalho na Indústria 4.0, presidido por Siegfried Dais (Robert Bosch GmbH) e Henning Kagermann da ACATECH (German Academy of Science and Engineering- Academia de Ciências e Tecnologia da Alemanha), onde apresentaram um conjunto de recomendações para implementação da Indústria 4.0 ao Governo Federal Alemão. Em abril de 2013, novamente na Feira de Hannover, o relatório final do Grupo de Trabalho da Indústria 4.0 foi apresentado.

A razão da Alemanha ter sido o berço de consolidação da Indústria 4.0, se deve à sua política industrial de investimentos na inovação e desenvolvimento de novas tecnologias de manufatura, produtos e serviços agregados, ao longo dessas últimas quatro décadas. Por ser relativamente recente o fenômeno da Indústria 4.0, ainda não há uma formalização dos conceitos teóricos e acadêmicos para sua aplicação de forma metódica e impositiva.

Nesse contexto, a ACATECH propôs um modelo de diagnóstico para as organizações de manufatura, denominado de Maturity Index of Industrie 4.0, que estabelece seis níveis de maturidade. Em relação a esse modelo, a ACATECH propõe uma metodologia empírica para a análise e avaliação do nível de maturidade encontrado na organização de manufatura, através de uma abordagem estrutural de gestão e produção. Além disso, como resultado desse diagnóstico, também é proposto um roteiro de ações, um road map, para a evolução do seu atual nível de maturidade, que busque a obtenção dos benefícios almejados pela empresa e que esteja em conformidade com a estratégia de seus negócios.

A ACATECH possui uma base de conhecimentos obtidos em dezenas de implantações na Europa e exterior, que servem de referência para avaliação de contextos comuns aos tipos de processos sendo analisados. O que sem dúvida representa um grande diferencial para modelos empíricos, de forma a obter resultados mensuráveis que justifiquem e estimulem essa iniciativa de transformação industrial.

 

 

Fundamentação histórica para entender o contexto

Importante salientar sobre o porquê dessa revolução industrial ter como referência de sua origem na Alemanha. É sabido que a partir da década de oitenta com o início da globalização da economia, houve uma forte transferência dos parques de manufatura dos países industrializados para os países em desenvolvimento, como o Brasil, por não conseguirem competir com o custo da mão de obra e energia nesses países. Os países desenvolvidos e industrializados, mantiveram em seus países de origem somente as áreas estratégicas de finanças e de pesquisa e desenvolvimento.

Todavia a Alemanha foi a exceção, ao procurar manter seu parque industrial no país e investir em tecnologias de automação e inovação de produtos com alta tecnologia para manter-se competitiva no mercado de produtos de alto valor agregado. Durante essas últimas quatro décadas, a Alemanha se notabilizou por estar sempre na vanguarda das tecnologias empregadas em máquinas e equipamentos produtivos com alto desempenho e na inovação de novos materiais e tecnologias integradas em seus produtos, utilizando-se principalmente de sistemas computacionais embarcados em seus processos produtivos, assim como também, em seus produtos. Tais tecnologias eram compensativas pela substituição de mão de obra intensiva e de baixo custo, que era substituída por uma mão de obra muito menos intensiva e com alta competência técnica, com bons salários. 

A estratégia da Alemanha se tornou eficiente quando da crise econômica global em 2008, devido ao estouro da bolha financeira artificial, do setor imobiliário nos EUA, que afetou duramente a economia mundial. Onde os países desenvolvidos se viram em seria dificuldades, com exceção da Alemanha, que na sua matriz econômica mantinha uma forte capacidade competitiva em relação a industrialização.

Outro fator relevante a se considerar, foi o avanço das tecnologias da informação nas décadas de noventa e do início do século XXI, como a da convergência digital em produtos com sistemas computacionais embarcados para comunicação, como o smartphone, que possibilitou a eliminação das distâncias e acessos aos mercados de consumo e produção global. O que vem gerando e consumindo um volume de dados e informações incomensurável e crescente, suportado pelos contínuos avanços das tecnologias de informação, num circulo virtuoso.

Esse grande volume de dados e informações sendo transacionados em tempo real, tornou o comportamento dos mercados mais dinâmicos e imprevisíveis, exigindo transformações das estruturas organizacionais das empresas e de sua cultura em realizar os seus processos produtivos e de negócios.  Fazendo com que as empresas tenham que ter a capacidade de aprendizagem organizacional na interação com seu ambiente interno (produtivo) e com seu ambiente externo (os clientes). Tal fato evidenciou a necessidade da utilização de forma integrada e colaborativa dos sistemas de informação corporativos, que haviam se originaram na terceira revolução industrial, tais como os sistemas de automação, MES (Manufacture Execution Systems) e administrativo ERP (Enterprise Resources Planning).

A integração desses sistemas de informação corporativa, no que se denomina de CPM (Colaborative Production Manager), permite sincronizar as operações de negócios com as produtivas, tendo o auxílio de assistentes virtuais para suporte de decisão, utilizando algoritmos de inteligência artificial, que possibilitam processar um grande volume de dados e informações acerca dos eventos que definem o ambiente da organização e com o qual os agentes CPS (Cyber Physic System) interagem, tanto máquinas ou humanos, e aprendem com as constatações dos resultados das ações empregadas, e conseguem ser ágeis em se adaptar de forma eficiente ao ambiente.

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